Review Homem Delírio pelo Site Música em DX

Homem-Delírio é um conjunto de sonoridades personalizadas num mesmo tempo e numa mesma narrativa. As vozes entram em nós como cristais reluzentes em coros delicados e que muitas vezes bafejam uma dor boa. Numa afinação quase angelical, “Fio a par do Mal” é o tema que abre uma viagem sonora na liberdade de composição e na diversidade melódica. Uma guitarra solta que se entrecruza numa “liberdade de Sangue Irmão (…) travando as guerras dos outros.” Um registo meio carioca nas cordas lusitanas, um violãosustentando uma voz que emaranha sem medo e por ele se deixa enfeitiçar. “Homem-Delírio”, nos murmúrios que saem na delicadeza da voz e que se sustenta na simplicidade dos acordes da guitarra, “(…) sofro a derrota de ombros caídos.” Encontramos “Estrangeiro” a meio da viagem, no jogo de cordas repetidas e nos coros fluidos que terminam nos arranjos de percussão numa “gente sofrida sem lei”. O tema que surge a seguir, “Escombros”, é uma autêntica banda sonora de um Western americano. Nos acordes eternizados por Neil Young, visualizamos chapéus de couro enlameados de sangue. Na sombra das copas das árvores, avistamos dois rostos cansados reflectidos nas águas paradas do Mississípi. Quando chegamos ao fim da música, voltamos a ouvi-la “Escombros” de olhos fechados.

No domínio do piano surge uma voz que pergunta e responde, “é preciso perder, abrir mão, libertar”. Coros orquestrais envoltos no sofrimento de uma “Hera”, que cresce nos acordes das teclas como se de uma orquestra se tratasse. Já a caminho do fim, “Só o Paraíso”, tema que se desenvolve na coerência da guitarra e do piano, mas que surpreende em intervalos de distorção lá ao longe. A presença do acordeão e a voz saída de um transístor definem a identidade da “Valsa do acaso” que se despede do “Homem-Delírio”. Acordes curtos da guitarra clássica, que vão sendo suprimidos em cortes momentâneos e que rompem com ligeireza os sons mais agudos da guitarra eléctrica.

Link: https://www.musicaemdx.pt/2019/09/10/um-corpo-estranho-apresenta-homem-delirio-no-sabotage-club/

Review Homem Delírio pelo Blogue A Certeza da Música

Nestes dias em que pegar num disco, colocá-lo no leitor de CD’s e ouvir até ao fim, é quase um acto de rebeldia, têm, felizmente, surgido alguns projectos ou bandas que nos obrigam a cometer esse “quase crime”.
“Homem Delírio” dos Um Corpo Estranho, é uma dessas obras. Como já disse noutros locais, isto é um álbum, no verdadeiro sentido do termo. Ele tem princípio meio e fim e conta uma história musical que agarra qualquer amante de boa música.
João Mota e Pedro Franco, continuam a surpreender com uma postura na música, muito pouco alinhada com os padrões actuais e fazem um disco que, quase me atrevo a dizer, atinge a perfeição.
A cada audição descobrimos uma nova teia de sons que nos enleia o coração e o cérebro e faz sentir, em crescendo, o prazer de ouvir um disco mesmo.
Os dedilhados de guitarra, e lapsteel, do Sérgio Mendes, o piano do Paulo Cavaco e o acordeão da Celina da Piedade (já cúmplice de trabalhos anteriores)  que “acaba com o resto”, enriquecem as paisagens sonoras que encantam e embrulham as letras de pura poesia. Pelos sons, somos levados a uma miríade de locais distantes e paradisíacos.
Enfim, acho que não preciso de dizer mais, este disco é Imprescindível e leva uma classificação de Excelente!
Se ainda não ouviram, façam-vos o favor de não perder mais tempo e vão imediatamente ouvir.

Link: https://acertezadamusica.blogspot.com/2019/06/um-corpo-estranho-homem-delirio.html

Review Homem Delírio pelo Blogue Deus me Livro

O projecto Um Corpo Estranho, dos ilustres setubalenses Pedro Franco e João Mota, lançou este ano o terceiro álbum de originais. Chama-se “Homem Delírio”, e foi editado no passado mês de Março pela Malafamado Records, com o apoio da Fundação GDA. O disco marca uma nova etapa na vida do duo: depois do rock mais vincado do anterior “Pulso”, de 2016, “Homem-Delírio” coninua ancorado nas guitarras, mas é um trabalho mais atmosférico, contaminado por ambientes e humores de banda sonora.

Os Um Corpo Estranho contam, no currículo, com bandas sonoras para bailados e peças de teatro, incursões que talvez expliquem o lado mais ambiental deste novo trabalho. A produção esteve a cargo de Sérgio Mendes, cúmplice habitual da banda, e no disco encontramos também o piano de Paulo Cavaco e o acordeão de Celina da Piedade.

Continua presente o imaginário muito Morricone que já havia no anterior trabalho, música de desertos empoeirados com ocasionais traços de burlesco. É assim o delicado tema homónimo, “Homem-Delírio”: começa com uma guitarra tex-mex sobre a qual a paira a voz, cristalina, como se de um fado se tratasse, carpindo sobre derrotas e melancolias. A música envolve-nos, faz-nos projectar um western spaghetti na nossa cabeça. O segundo avanço, “Sangue Irmão”, remete para uns Radiohead menos electrónicos, sem deixar de soar bem nacional. É quase operático, uma lenta descida ao vazio.

Há, por vezes, algumas notas de electricidade, num disco predominantemente acústico – veja-se a guitarra eléctrica de “Valsa do Acaso”, a rasgar o ambiente de burlesco, perto do final do tema, ou o fuzz elétrico no meio de “Escombros”. De destacar também “Hera”, elegante canção assente em frases de piano, a fazer lembrar as bandas sonoras do compositor minimalista Michael Nyman.

O lado cinemático do disco está bem patente no interessante vídeo de “O Estrangeiro”: verdadeira curta-metragem surrealista, que complementa bem o imaginário da música, acentuando o pendor dramático e poético do tema. Fala-se sobre o que é ser um estranho numa terra estranha, matéria oportuna nestes tempos de muros e fronteiras implacáveis.

A viagem encerra-se com o jogo de harmonias vocais de “Valsa do Acaso”, deixando o retrato de uma banda em boa forma – “Homem Delírio” é uma narrativa com interessantes ideias musicais, um universo muito particular contido neste disco sofisticado e melancólico. Uma peça de teatro à qual apetece voltar mais vezes.

Link: http://deusmelivro.com/musica-com-cabeca/um-corpo-estranho-homem-delirio-8-5-2019/#.XiOTti2tHEY

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