Review Homem Delírio pelo Blogue A Certeza da Música

Nestes dias em que pegar num disco, colocá-lo no leitor de CD’s e ouvir até ao fim, é quase um acto de rebeldia, têm, felizmente, surgido alguns projectos ou bandas que nos obrigam a cometer esse “quase crime”.
“Homem Delírio” dos Um Corpo Estranho, é uma dessas obras. Como já disse noutros locais, isto é um álbum, no verdadeiro sentido do termo. Ele tem princípio meio e fim e conta uma história musical que agarra qualquer amante de boa música.
João Mota e Pedro Franco, continuam a surpreender com uma postura na música, muito pouco alinhada com os padrões actuais e fazem um disco que, quase me atrevo a dizer, atinge a perfeição.
A cada audição descobrimos uma nova teia de sons que nos enleia o coração e o cérebro e faz sentir, em crescendo, o prazer de ouvir um disco mesmo.
Os dedilhados de guitarra, e lapsteel, do Sérgio Mendes, o piano do Paulo Cavaco e o acordeão da Celina da Piedade (já cúmplice de trabalhos anteriores)  que “acaba com o resto”, enriquecem as paisagens sonoras que encantam e embrulham as letras de pura poesia. Pelos sons, somos levados a uma miríade de locais distantes e paradisíacos.
Enfim, acho que não preciso de dizer mais, este disco é Imprescindível e leva uma classificação de Excelente!
Se ainda não ouviram, façam-vos o favor de não perder mais tempo e vão imediatamente ouvir.

Link: https://acertezadamusica.blogspot.com/2019/06/um-corpo-estranho-homem-delirio.html

Review Homem Delírio pelo Blogue Deus me Livro

O projecto Um Corpo Estranho, dos ilustres setubalenses Pedro Franco e João Mota, lançou este ano o terceiro álbum de originais. Chama-se “Homem Delírio”, e foi editado no passado mês de Março pela Malafamado Records, com o apoio da Fundação GDA. O disco marca uma nova etapa na vida do duo: depois do rock mais vincado do anterior “Pulso”, de 2016, “Homem-Delírio” coninua ancorado nas guitarras, mas é um trabalho mais atmosférico, contaminado por ambientes e humores de banda sonora.

Os Um Corpo Estranho contam, no currículo, com bandas sonoras para bailados e peças de teatro, incursões que talvez expliquem o lado mais ambiental deste novo trabalho. A produção esteve a cargo de Sérgio Mendes, cúmplice habitual da banda, e no disco encontramos também o piano de Paulo Cavaco e o acordeão de Celina da Piedade.

Continua presente o imaginário muito Morricone que já havia no anterior trabalho, música de desertos empoeirados com ocasionais traços de burlesco. É assim o delicado tema homónimo, “Homem-Delírio”: começa com uma guitarra tex-mex sobre a qual a paira a voz, cristalina, como se de um fado se tratasse, carpindo sobre derrotas e melancolias. A música envolve-nos, faz-nos projectar um western spaghetti na nossa cabeça. O segundo avanço, “Sangue Irmão”, remete para uns Radiohead menos electrónicos, sem deixar de soar bem nacional. É quase operático, uma lenta descida ao vazio.

Há, por vezes, algumas notas de electricidade, num disco predominantemente acústico – veja-se a guitarra eléctrica de “Valsa do Acaso”, a rasgar o ambiente de burlesco, perto do final do tema, ou o fuzz elétrico no meio de “Escombros”. De destacar também “Hera”, elegante canção assente em frases de piano, a fazer lembrar as bandas sonoras do compositor minimalista Michael Nyman.

O lado cinemático do disco está bem patente no interessante vídeo de “O Estrangeiro”: verdadeira curta-metragem surrealista, que complementa bem o imaginário da música, acentuando o pendor dramático e poético do tema. Fala-se sobre o que é ser um estranho numa terra estranha, matéria oportuna nestes tempos de muros e fronteiras implacáveis.

A viagem encerra-se com o jogo de harmonias vocais de “Valsa do Acaso”, deixando o retrato de uma banda em boa forma – “Homem Delírio” é uma narrativa com interessantes ideias musicais, um universo muito particular contido neste disco sofisticado e melancólico. Uma peça de teatro à qual apetece voltar mais vezes.

Link: http://deusmelivro.com/musica-com-cabeca/um-corpo-estranho-homem-delirio-8-5-2019/#.XiOTti2tHEY

Review: Homem Delírio pelo Blogue Man on the Moon

Já chegou aos escaparates Homem Delírio, o terceiro registo de originais do projeto Um Corpo Estranho, formado por Pedro Franco e João Mota e sedeado em Setúbal. O registo sucede aos trabalhos De Não Ter Tempo (2014), que contou com a participação de Celina da Piedade e incluia uma versão de um tema da Madredeus e Pulso (2016), considerado por alguma imprensa especializada como um dos melhores discos nacionais desse ano (Santos da Casa RUC, Certeza da Música, No Sólo Fado). Além destes três álbuns, Um Corpo Estranho também conta já no seu cardápio com três bandas sonoras para os bailados, A velha AmpulhetaQarib e A Almofada da Paula, este último baseado na obra da pintora Paula Rego. Importa ainda referir que estes finalistas do Prémio José Afonso em 2015, já compuseram para curtas metragens e peças de dança e de teatro.

Lançado com o apoio da Fundação GDA, produzido por Sérgio Mendes, elemento já frequente nos arranjos de Um Corpo Estranho e com as participações especiais de Paulo Cavaco ao piano e o acordeão inconfundível da, já habitual, Celina da Piedade, citada acima, Homem Delírio abre em modo excelênciacom Fio A Par Do Mal, uma canção que reflete sobre diversas dualidades e que nos deslumbra com um jogo vocal bastante impressivo e realista. A partir dessa impressionante interpretação está dado o mote para um alinhamento que no bucolismo e na superior complacência das cordas de Sangue Irmão e do tema homónimo, começa por nos levar a viajar até ao outro lado da fronteira, com o intuíto de nos apresentar alguém que quase todos conhecemos e que inspirou o processo de escrita do álbum. Assim, nessa demanda por uma sedutora Andaluzia espanhola cheia de histórias de um cavaleiro que lutou contra moinhos de vento e de cheiro a feno, reluz o conhecido escritor Ernest Hemingway, que é para os Um Corpo Estranho uma espécie de Dom Quixote moderno, não só por causa do seu cardápio lírico, mas também pelo modo pouco regrado como viveu, num trajeto onde inquietação, isolamento e desgosto conviveram paredes meias com um corajoso aventureiro.

Apresentado o Homem Delírio personagem que vai seguir de mãos dadas conosco até ao ocaso do alinhamento, de seguida, cordas, vozes em dor e uma distorção agreste alimentam em O Estrangeiro uma profunda reflexão sobre a problemática da crise dos refugiados e o modo como o nosso continente tem lidado com quem se vê abruptamente privado do lugar onde sempre pertenceu e passa a conviver em terra estranha com a desconfiança e o preconceito de quem nem sempre acolhe como devia. Esta temática da desconfiança e dos receios é substituida, pouco depois, por mais um fator causador de angústia e depressão humana, o universo da morte e da perca, mas que nesta abordagem também intui sobre o renascimento e o recomeço. É mais uma dicotomia alvo de reflexão, neste caso ao som do piano de Hera, com as mesmas teclas e o acordeão de Só O Paraíso a nos fazerem contemplar outra, o modo como olhamos para determinados espaços físicos e lugares e os analisamos, ou pela perspetiva dos factos provados que eles testemunharam e que a história narra com maior ou menor exatidão, ou os mitos e as lendas que lhes estão muitas vezes associados.

Esta maravilhosa viagem pelo nosso âmago termina com Valsa do Acaso, canção que encerra o alinhamento em modo convite, para que cada um de nós tenha a capacidade de meditar sobre a nossa existência e não recear mudar caso sinta que pode muito bem ter dentro de si um Homem Delírio a precisar de urgente exorcização. Pode muito bem fazer este exercício de introspeção ao som destes pouco mais de trinta minutos pensados para serem analisados à lupa, como é essencial na música que preenche e enriquece e nos dá algo de novo dentro da amálgama sonora dos dias de hoje, até porque os protagonistas de Um Corpo Estranho são exímios no modo como nos oferecem sons criados com forte inspiração em elementos paisagísticos, enquanto se debruçam sobre o lado mais inconstante e dilacerante da nossa dimensão sensível e colocam a nu algumas das feridas e chagas que, desde tempos intemporais, perseguem a humanidade e definem a propensão natural que todos temos, enquanto espécie, de cair insistentemente no erro e de colocar em causa o mundo que nos rodeia. Espero que aprecies a sugestão…

Link: https://stipe07.blogs.sapo.pt/um-corpo-estranho-homem-delirio-965718

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